top of page
Acolhimento clínico para quem busca compreender e transformar seu sofrimento.
Clínica da Palavra Blog de Eduardo


Clínica da Palavra – Blog de Eduardo Villarom Helene
Bem-vindo ao Clínica da Palavra.
villarom
5 de nov. de 20251 min de leitura


Nota sobre o ocorrido na Venezuela
Nota sobre o ocorrido na Venezuela Diante das notícias que circularam recentemente sobre um suposto sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, envolvendo diretamente a figura de Donald Trump, sinto-me compelido a registrar uma preocupação que não é ideológica, mas ética e simbólica. Independentemente da confirmação factual, das versões em disputa ou dos interesses geopolíticos em jogo, o simples enunciado de um episódio dessa natureza já produz efeitos psíquicos e po
villarom
há 1 dia2 min de leitura


Diante da Porta
Kafka, psicanálise e a travessia de uma posição subjetiva Antes de seguir, vale situar o leitor. “Diante da Lei” é uma curta parábola de Franz Kafka, inserida no romance O Processo. Nela, um homem do campo chega a uma porta que dá acesso à Lei e encontra um guarda que a vigia. A porta está aberta. Ainda assim, o homem é informado de que não pode entrar naquele momento. Ele espera. Espera dias, anos, uma vida inteira, sustentando a ideia de que a autorização virá no tempo cer
villarom
há 1 dia4 min de leitura


O Ritual da Passagem: entre a repetição freudiana e o gesto espontâneo em Winnicott
Quando o tempo muda no calendário, mas o psiquismo insiste em continuar A virada do ano é mais do que um evento cronológico. É um ritual simbólico no qual projetamos a esperança de interromper repetições, aliviar culpas e reinventar a própria história. Este ensaio propõe um olhar psicanalítico sobre o Ano Novo como espaço de tensão entre a compulsão à repetição, descrita por Freud, e a possibilidade de criação e espontaneidade, pensada por Winnicott. Entre promessas, lutos e
villarom
31 de dez. de 20254 min de leitura


A Alexa, o Terço e a Economia da Fé
Um Olhar Psicanalítico na Fila do Supermercado Ah, a fila do caixa. Esse curioso laboratório social onde, entre o pacote de arroz, o detergente em promoção e o chiclete esquecido no balcão, a vida psíquica resolve se manifestar sem pedir licença. É ali, nesse espaço de espera e distração, que o inconsciente coletivo costuma dar o ar de sua graça. E foi exatamente ali que me deparei com uma pequena cena do nosso tempo. Duas senhoras conversavam com devoção sobre fé, missa, com
villarom
16 de dez. de 20254 min de leitura


Pai e filho em Bondi Beach: notas sobre a transmissão da violência
Quando o ódio se torna herança: pai, filho e o colapso do laço O que aconteceu em Bondi Beach não pode ser lido apenas como mais um episódio de violência extrema. Há algo neste acontecimento que exige um olhar mais atento: não foi um homem isolado, foi um pai e um filho. Um vínculo que, em sua função mais básica, deveria operar como proteção, limite e introdução à vida comum, foi transformado em passagem direta do ódio para o ato. A praia era cenário de uma celebração. Famíli
villarom
15 de dez. de 20254 min de leitura


O Café Que Fica em Suspenso
Sobre gestos anônimos, comida quente e a delicadeza invisível que ainda sustenta o mundo Em 2011, abri um restaurante movido por um sonho simples e ambicioso ao mesmo tempo: criar um lugar onde a comida fosse mais do que alimento, fosse encontro. Um espaço onde receitas, histórias e tradições de família se sentassem à mesa junto com a música e as artes. Foram anos bons, intensos, cheios de vida. Até que a pandemia, como um silêncio abrupto, tornou inviável o que antes era mov
villarom
11 de dez. de 20254 min de leitura


O Filho de Mil Homens
Desamparo, filiação simbólica e a delicada transmissão do cuidado (Uma leitura psicanalítica a partir de Freud e Winnicott) Aviso ao leitor: este texto contém spoilers importantes do filme. Recomenda-se assisti-lo antes da leitura para uma experiência mais inteira. Sobre o filme O Filho de Mil Homens (2025) Direção: Daniel Rezende Roteiro: Daniel Rezende, baseado no romance homônimo de Valter Hugo Mãe Elenco principal: Rodrigo Santoro, Johnny Massaro, Rebeca Jamir O filme é u
villarom
9 de dez. de 20257 min de leitura


Narrativa de um Momento Zero
Um instante em que a vida deixa de apenas se repetir Este é um conto de Eduardo Villarom Helene, em que literatura e psicanálise se encontram no instante em que algo do inconsciente encontra passagem para a vida. Ele acordava todos os dias no mesmo horário, como quem obedece a um relógio que não fez questão de escolher. O despertador tocava às 6h15, mas ele já estava desperto às 6h10, num estado estranho entre o sono e a vigília, em que o corpo ainda pedia repouso e a mente j
villarom
7 de dez. de 20259 min de leitura


Quando a história muda de direção
Como transformar a herança emocional e abrir espaço para um novo começo A ideia deste texto nasceu de um vídeo da Luiza Possi que me tocou profundamente. Nele, a artista refletia sobre a necessidade de reconhecer padrões familiares que percorrem gerações e assumir que alguns deles podem encontrar um ponto final em nós, abrindo espaço para uma nova forma de viver. Sua afirmação de que “somos vítimas de vítimas” ecoou de maneira intensa, especialmente para quem trabalha com o s
villarom
5 de dez. de 20253 min de leitura


Por que compreender as matrizes do pensamento psicológico importa para quem pratica a psicanálise
Entre corpo, sentido e mundo social: o que sustenta a prática psicanalítica Ler Matrizes do Pensamento Psicológico, de Luís Cláudio Figueiredo, é como atravessar um espelho que devolve não apenas a história da psicologia, mas também nossos próprios modos de pensar e de clinicar. Ao longo da formação, muitos de nós nos aproximamos da psicanálise por afinidade, por vocação ou por uma experiência emocional que nos convocou a escutar o sofrimento do outro. No entanto, essa escolh
villarom
5 de dez. de 20253 min de leitura


Quem são as feras? Uma leitura psicanalítica da morte de Gerson de Melo Machado e da violência que veio depois
O país assistiu, com dor e perplexidade, à morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, no zoológico Arruda Câmara, em João Pessoa. Gerson escalou um muro de seis metros, ultrapassou uma cerca de segurança, subiu em uma árvore e entrou no recinto da leoa Leona. A estrutura estava dentro das normas e acima do exigido. Ainda assim, diante de um ato tão inesperado, nenhuma instituição seria capaz de impedir o que ocorreu. A leoa reagiu por instinto e Gerson morreu ali, em poucos
villarom
2 de dez. de 20254 min de leitura


Tristeza, Depressão e Ansiedade: Como a Psicanálise Ajuda a Atravessar Esses Estados
Vivemos um tempo em que muitas pessoas chegam aos consultórios dizendo estar “depressivas” ou “ansiosas”, como se tristeza e ansiedade fossem diagnósticos por si só. A linguagem cotidiana acabou se inflando de termos clínicos, e muitas vezes o sofrimento, ainda sem nome, procura abrigo nessas palavras. Nessa travessia, a psicanálise oferece um olhar cuidadoso e diferenciado. A partir dos fundamentos inaugurados por Freud, e aprofundados posteriormente por autores da Escola In
villarom
24 de nov. de 20254 min de leitura


Por Que Dói Ser Eu? A Busca Pela Autenticidade e o Caminho do Tratamento Psicanalítico
O que pode ser mais exaustivo do que atravessar o dia inteiro representando um papel? Muitas pessoas relatam um cansaço que não vem apenas da rotina, mas da sensação de viver deslocadas dentro da própria vida. É como se um sorriso treinado, uma postura adequada ou uma performance competente tivessem se tornado uma segunda pele. Tentamos sustentar expectativas, corresponder ao que imaginamos que os outros esperam e, no fim, resta uma impressão amarga de distância de nós mesmos
villarom
22 de nov. de 20254 min de leitura


Por que está tão difícil amar e ser amado? — Relações líquidas e o sofrimento dos vínculos instáveis
Estamos vivendo uma época em que tudo parece rápido demais. As relações começam com intensidade, mensagens trocadas em velocidade recorde, uma sensação de encontro imediato, quase mágico. Mas, da mesma forma que começam, muitas vezes terminam abruptamente, deixando para trás um rastro de vazio, dúvida e sensação de desamparo. Isso tem se tornado tão comum que aparece com frequência no consultório: pessoas que não conseguem entender por que vínculos aparentemente promissores s
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


A Epidemia do Medo: por que tanta gente sente que algo ruim vai acontecer?
Talvez você já tenha sentido isso: uma inquietação vaga que chega sem motivo claro, uma sensação de que alguma coisa está prestes a dar errado, como se o corpo soubesse de algo que a mente não consegue formular. No consultório, esse tipo de queixa se tornou frequente. Pessoas que dizem viver esperando o pior, que dormem e acordam com a sensação de ameaça difusa, como se houvesse um perigo rondando mesmo quando tudo parece relativamente estável. É como se o psiquismo estivesse
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


Por que estamos tão cansados? — A exaustão silenciosa do nosso tempo
Você já deve ter notado como repetimos, quase sem pensar, algumas frases que se tornaram parte da vida contemporânea: “estou esgotado”, “não tenho cabeça para mais nada”, “não sei como dou conta”. É um refrão que atravessa todas as idades e rotinas e que chega ao consultório com maior frequência a cada ano. A sensação geral é a de um cansaço que não passa nem quando dormimos, porque raramente conseguimos, de fato, descansar. Vivemos num tempo em que o corpo pede pausa, mas a
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


A Visão Aprimorada da Maturidade (Com Lentes, Mas Sem Venda)
Era uma quarta-feira. O cheiro de café (e talvez um tico de angústia sublimada) pairava no ar da reunião on-line, onde nosso clã de psicanalistas que insiste em se encontrar semanalmente para a (sempre necessária) dissecação de casos clínicos, dilemas de manejo e, sejamos honestos, um pouco de fofoca intelectualizada. Estamos nessa há décadas. Desde os tempos de faculdade, quando éramos todos puro idealismo freudiano e usávamos jeans rasgados (porque éramos cool e profundos,
villarom
13 de nov. de 20254 min de leitura


A Tirania da Piscada e os 3,6 Anos Perdidos
O que a piscada nos ensina sobre o tempo, a perda e a ilusão de controle Caros leitores e amantes da visão (intermitente), acabo de fazer uma conta aterradora, dessas que a gente só consegue conceber graças à paciência estoica de uma inteligência artificial. A pergunta era inocente: quanto tempo ficamos de olhos fechados por causa da bendita piscada? A resposta, amigos, é um murro no estômago da nossa percepção de tempo: 3,6 anos. Três anos e meio. É o tempo de uma faculdade,
villarom
13 de nov. de 20252 min de leitura


Entre rótulos e relações: pensando o narcisismo onde dói
Quando o amor vira campo de batalha e o afeto precisa reaprender a respirar.
villarom
7 de nov. de 20254 min de leitura
bottom of page
