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Acolhimento clínico para quem busca compreender e transformar seu sofrimento.
Clínica da Palavra Blog de Eduardo


Por Que Dói Ser Eu? A Busca Pela Autenticidade e o Caminho do Tratamento Psicanalítico
O que pode ser mais exaustivo do que atravessar o dia inteiro representando um papel? Muitas pessoas relatam um cansaço que não vem apenas da rotina, mas da sensação de viver deslocadas dentro da própria vida. É como se um sorriso treinado, uma postura adequada ou uma performance competente tivessem se tornado uma segunda pele. Tentamos sustentar expectativas, corresponder ao que imaginamos que os outros esperam e, no fim, resta uma impressão amarga de distância de nós mesmos
villarom
22 de nov. de 20254 min de leitura


Por que está tão difícil amar e ser amado? — Relações líquidas e o sofrimento dos vínculos instáveis
Estamos vivendo uma época em que tudo parece rápido demais. As relações começam com intensidade, mensagens trocadas em velocidade recorde, uma sensação de encontro imediato, quase mágico. Mas, da mesma forma que começam, muitas vezes terminam abruptamente, deixando para trás um rastro de vazio, dúvida e sensação de desamparo. Isso tem se tornado tão comum que aparece com frequência no consultório: pessoas que não conseguem entender por que vínculos aparentemente promissores s
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


A Epidemia do Medo: por que tanta gente sente que algo ruim vai acontecer?
Talvez você já tenha sentido isso: uma inquietação vaga que chega sem motivo claro, uma sensação de que alguma coisa está prestes a dar errado, como se o corpo soubesse de algo que a mente não consegue formular. No consultório, esse tipo de queixa se tornou frequente. Pessoas que dizem viver esperando o pior, que dormem e acordam com a sensação de ameaça difusa, como se houvesse um perigo rondando mesmo quando tudo parece relativamente estável. É como se o psiquismo estivesse
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


Por que estamos tão cansados? — A exaustão silenciosa do nosso tempo
Você já deve ter notado como repetimos, quase sem pensar, algumas frases que se tornaram parte da vida contemporânea: “estou esgotado”, “não tenho cabeça para mais nada”, “não sei como dou conta”. É um refrão que atravessa todas as idades e rotinas e que chega ao consultório com maior frequência a cada ano. A sensação geral é a de um cansaço que não passa nem quando dormimos, porque raramente conseguimos, de fato, descansar. Vivemos num tempo em que o corpo pede pausa, mas a
villarom
21 de nov. de 20254 min de leitura


A Visão Aprimorada da Maturidade (Com Lentes, Mas Sem Venda)
Era uma quarta-feira. O cheiro de café (e talvez um tico de angústia sublimada) pairava no ar da reunião on-line, onde nosso clã de psicanalistas que insiste em se encontrar semanalmente para a (sempre necessária) dissecação de casos clínicos, dilemas de manejo e, sejamos honestos, um pouco de fofoca intelectualizada. Estamos nessa há décadas. Desde os tempos de faculdade, quando éramos todos puro idealismo freudiano e usávamos jeans rasgados (porque éramos cool e profundos,
villarom
13 de nov. de 20254 min de leitura


A Tirania da Piscada e os 3,6 Anos Perdidos
O que a piscada nos ensina sobre o tempo, a perda e a ilusão de controle Caros leitores e amantes da visão (intermitente), acabo de fazer uma conta aterradora, dessas que a gente só consegue conceber graças à paciência estoica de uma inteligência artificial. A pergunta era inocente: quanto tempo ficamos de olhos fechados por causa da bendita piscada? A resposta, amigos, é um murro no estômago da nossa percepção de tempo: 3,6 anos. Três anos e meio. É o tempo de uma faculdade,
villarom
13 de nov. de 20252 min de leitura


Entre rótulos e relações: pensando o narcisismo onde dói
Quando o amor vira campo de batalha e o afeto precisa reaprender a respirar.
villarom
7 de nov. de 20254 min de leitura


Enquanto ainda dá tempo
A lucidez possível diante do mundo que desaba Escrevo isso pra quem, mesmo desacreditado, ainda sente algo vibrar por dentro quando ouve palavras como “sentido”, “verdade” ou “futuro”. Não escrevo por esperança cega, nem pra semear pânico. Escrevo por dever. Um dever ético e existencial. Kant diria que a dignidade humana consiste em agir conforme aquilo que, se todos fizessem, o mundo seria mais habitável. Já a psicanálise me diz que a angústia, por mais insuportável que pare
villarom
5 de nov. de 20253 min de leitura


Você se sente autor das suas escolhas ou personagem de uma trama já escrita?
Determinismo, Cérebro e Inconsciente: O que Robert Sapolsky e Freud têm a dizer sobre o livre-arbítrio? Você já se pegou pensando se realmente escolhe as suas decisões? Ou se, no fundo, elas já estavam "escritas" de alguma forma? Essa é uma das questões mais antigas da filosofia, e hoje, a ciência nos dá novas pistas para desvendar esse mistério. O neurocientista Robert Sapolsky e o pai da psicanálise, Sigmund Freud, são dois grandes nomes que, de maneiras diferentes, nos for
villarom
5 de nov. de 20253 min de leitura


A Noite Sempre Chega: quando a sobrevivência pede a máscara do psicopata
Uma leitura psicanalítica do thriller da Netflix com Vanessa Kirby Este ensaio nasceu da experiência angustiante de assistir A Noite Sempre Chega e de precisar elaborar, com algum distanciamento, o impacto provocado pela protagonista. A princípio, sua frieza poderia levar a uma leitura moralizante, classificando-a simplesmente como “psicopata”. No entanto, esse caminho seria reducionista e pouco fértil. O exercício aqui proposto é justamente o oposto: suspender o julgamento e
villarom
5 de nov. de 20254 min de leitura


A Guerra das Palavras: um ensaio psicanalítico sobre a retórica pública e o imaginário do crime
Há conflitos que não se travam nas vielas, mas na alma coletiva. Antes do primeiro tiro, existe sempre uma palavra. E, para quem se interessa pela interseção entre sociedade e psicanálise, é impossível ignorar que o Brasil convive com uma batalha silenciosa pelo controle das narrativas que cercam o crime organizado. Nesse terreno simbólico, Estado, mídia e facções disputam não apenas versões, mas o imaginário que sustenta o medo e a sensação de poder. A fabricação do mito Do
villarom
5 de nov. de 20253 min de leitura


Gypsy: Quando a Terapeuta é a Próxima Paciente. Uma Análise Psicanalítica.
Como psicanalista, frequentemente me pego observando narrativas populares em busca de um retrato fiel dos recessos da psique humana. Raramente encontro uma representação tão rica e perturbadora quanto a oferecida pela série Gypsy da Netflix. Mais do que um thriller, a série é um estudo de caso cinematográfico sobre a dissolução dos limites do eu, um mergulho profundo no abismo que se abre quando a persona profissional colapsa sob o peso dos desejos inconscientes. A premissa é
villarom
5 de nov. de 20253 min de leitura


Beau Tem Medo: o horror do amor que não liberta
“A neurose é o preço que pagamos por amor.” (parafraseando Freud) Há filmes que não se assistem. Eles nos invadem. Beau Tem Medo, de Ari Aster, é um desses mergulhos em que o espectador se perde. Mais do que um suspense, é uma jornada psíquica, uma experiência em que o medo não é um tema, mas uma estrutura. O medo de existir. O medo de desejar. O medo de ser amado demais. Ari Aster constrói um universo inteiramente freudiano. O filme é o mapa do inconsciente de um homem apris
villarom
5 de nov. de 20254 min de leitura


André Green: O Pensamento Vivo e o Trabalho do Negativo
“Pensar é transformar a ausência em presença.” — André Green Poucos psicanalistas do século XX ocuparam um lugar tão singular e fecundo quanto André Green (1927-2012). Médico, psiquiatra e psicanalista francês, discípulo de Jacques Lacan e posteriormente um de seus críticos mais lúcidos, Green construiu uma obra essencial para compreender a clínica contemporânea, especialmente diante das novas formas de sofrimento psíquico marcadas pelo vazio, pela ausência e pela falha na re
villarom
5 de nov. de 20254 min de leitura


“A Dócil”, de Dostoiévski: quando o silêncio diz tudo.
Narrativas masculinas, silêncios femininos: o que A Dócil ainda nos diz hoje. Um pequeno e despretensioso ensaio sobre o conto "A Dócil”, de Dostoiévsk. Dostoiévski nunca nos deixa sair ilesos. Seus personagens não se contentam em viver eles nos atravessam, nos ferem, nos obrigam a olhar para dentro. Em A Dócil (1876), um conto curto e avassalador, o autor russo nos apresenta uma tragédia doméstica contada de forma inquietante: a história de uma jovem esposa que se mata, lanç
villarom
10 de jul. de 20252 min de leitura
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